domingo, 1 de dezembro de 2013

Reprovação ou progressão continuada?

Então será que é esse mesmo o caminho? O terror da reprovação ao final do ano ainda me assombra anos depois de ter deixado o ensino básico. Lembro que em meu primeiro dia na escola a professora dizendo que quem não estudasse iria repetir de ano, em casa o discurso era o mesmo. Não pode reprovar, não pode reprovar, não pode reprovar. Caramba como alguém consegue aprender nesta atmosfera de medo e pressão de todos os lados? Resposta: Não aprende!
Mas o problema não esta em reprovar ou não reprovar um aluno, o problema esta na forma como a escola ainda funciona no nosso país. Cada vez que entro numa sala de aula, com carteiras enfileiradas, um quadro na frente a mesa do professor de um lado, tenho calafrios, sinto que sou automaticamente teletransportado para o inicio da colonização do país aonde os jesuítas catequizavam os indígenas. Nada mudou de la para cá, ainda ensinamos como a mais de duzentos anos atras, mestres na frente da turma a falar, falar e falar. Aulas 89% expositivas que ao final são encerradas com um questionário de dez questões que serão utilizadas na avaliação bimestral.
Nas Salas de Professores a qual passei muitas vezes fiquei pasmo em ver mestres que não sabiam utilizar o computador para fazer uma simples pesquisa, digitar as notas numa planilha, criar uma apresentação em power point e quando questionados o porque de tamanha dificuldade e reticencia em aprender a utilizar, a resposta era sempre a mesma.
- Você esta começando agora é idealista, esta cheio de gás ainda, possui poucas aulas, espera que daqui a cinco, seis anos, você estará igual a todos nos.
Triste, muito triste... que um mestre pense desta forma, culpe a quantidade de horas/aula, culpe o governo pelo sucateamento da educação, culpe os alunos que não estão nem ai para os estudos. Culpe todo mundo menos a eles mesmo.
Então pergunto: Reprovação ou progressão continuada?
Nem um nem outro, a educação em nosso país precisa urgentemente ser re-construída, reformas, tapas buracos, já não surgem mais efeito. Precisamos reconstruir da base ao topo, precisamos profissionalizar nossos mestres, com cursos de licenciaturas de qualidade, plano de carreira, bons salários, atrair para o magistério profissionais qualificados. Deixar de lado de uma vez a imagem de "Tia e Tio", ensinar aos professores que o magistério é uma profissão e não um sacerdócio, ensinar a população a respeitar seus professores como um profissional qualificado.
A acho que não respondi a pergunta original ou respondi? Sim respondi, enquanto a educação não for re construída, enquanto nossos profissionais não forem realmente profissionais, tanto faz se teremos reprovação ou progressão continuada. Por que esse é o menor dos problemas da educação.

Prof. Hugo Ricardo
Biólogo e Psicopedagogo


O que será do nosso Ensino Médio?

O MEC começa a dar forma na Reforma Educacional brasileira e tudo indica que o Ensino Médio ganhara novas formas. Com o ENEM ganhando força a cada ano, o ministério quer que as disciplinas estudadas sejam agrupadas dentro das três grandes áreas do conhecimento: EXATAS, BIOLÓGICAS E HUMANAS.
A pergunta que me faço sempre é: Será que é esse mesmo o caminho? A cada dia que passa estou mais convencido que não!
Defendo um currículo nacional enxuto  de base comum de onde seriam feitas as centenas de exames, inclusive o ENEM. Ensinar a mesma coisa de norte a sul, de leste a oeste do país garante integridade no aprendizado. O restante do currículo do E. Médio deveria ser preenchida de acordo com a autonomia de cada escola de cada região deste país continental.
Por exemplo: A biologia ensinada para um aluno que mora no litoral seria voltada para a região que ele vive, biologia marinha, manguezais e etc, para um aluno que vive no interior: agronomia, limnologia, agronomia.  Hoje tentamos ensinar muito e esquecemos realmente de ensinar o que será realmente útil para nossos alunos. Ensinamos como se todos os alunos fossem optar pela carreira acadêmica, um grande erro. Deixando o currículo mais atraente, também deixamos nossos alunos mais interessados.